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Escrito por @Felipe__FoX 

– Ainda lembro-me de ver os rostos daqueles pobres… Afinal… Quem estava errado…? Eu não tinha escolha… Eles queriam a guerra.

Um bom gole de whiskey para esquecer, mas os pensamentos continuavam.

– Não serei julgado pelos meus atos, e mesmo assim julgamos os deles. “Mas eles devem ser claramente informados de que se permanecerem dentro dos limites dos Estados, devem ser sujeitos as suas leis” eu disse. Mas que leis? Estaria certa uma lei que permite dominar a força e extrair contra a vontade os verdadeiros colonos dessa terra? Foi um massacre!

Abre a garrafa e serve mais uma dose, percebe como aquelas memórias o condenariam para sempre…

– Estou com 78 anos, meus erros não foram julgados em vida… mas se Deus ainda existe e olha por essas terras sujas e manchadas de sangue ele irá me condenar, estou fadado a viver um inferno em minha mente ou carregar minha alma para ele. Não empunhei as armas, mas fui eu quem as deu para aqueles homens… sete mil homens armados contra alguns tantos de arcos e flechas… aqueles soldados esfomeados por terras e por impor a ordem que o Estado acreditava ser a certa, todos comandados por mim.

A essa hora o gelo ja havia derretido e o whiskey se tornava aguado.

– Deus é a prova que tentei negociar a remoção daqueles malditos! Ele viu tudo. Mas eles não queria sair por nada… que poderia fazer?

Mais duas pedras de gelo e o copo volta a se encher.

– A quem estou tentando enganar? A mim mesmo? Sim, talvez uma forma de arrumar desculpas para que isso não continue devorando minha mente. Old Hickory  eles me chamaram… o velho coiote. Como todo coiote o que fiz foi atacar um rebanho de meras ovelhas. O sangue, os escalpos, a dor nos olhos daqueles que nada fizeram… mulheres, crianças, todos! Mandei que eliminassem a todos… pelo bem do Estado talvez. Mas um Estado que se ergue em sangue de seus naturais não é correto.

Por fim o último gole de whiskey desce como um tiro de revolver antessipando o que ele já previa.

– Estou morrendo! Por dentro e por fora! Minha alma já não aguenta a dor dos meus atos e meu corpo a dor do tempo. O Sétimo presidente… agora um homem velho e decrépito ao fim de sua vida que tudo que carrega não são os feitos heróicos, mas as péssimas recordações de um assassino. Vou dormir nesta mesma poltrona e esperar que não acorde para ver o sol amanhã. Quem sabe assim estaremos quites.

Andrew Jackson, 7 de julho de 1845. 

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