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Por @TaianAoki leia mais em O Diário Semanal

Ouça enquanto lê

– Mão na parede, perdeu, perdeu!

E nos encostamos contra o muro. Apenas eu e meu vizinho dando uma volta pela rua.

– Cadê o documento?

– Tem não. – Digo e tomo um tapão daqueles na cabeça.

– Tem não, o que?

– Tem não, senhor.

– Tem não por que, safado?

– A gente só tava dando uma volta na rua, senhor. Eu moro logo ali.

– Sei. – ele me encarava de cima a baixo. Minha cabeça ainda latejando. Enquanto isso outro deles apalpava todos os bolsos de meu vizinho que sofria calado. – Tem droga?

– Tem não, senhor.

– E você tava fazendo o que na rua?

– Só dando uma volta, senhor.

– Cê ta me tirando de louco, né safado?

– To não, senhor, sou trabalhador. Só tava tirando uma prosa com meu vizinho.

E então ele começa a me revistar. Tudo bem, eu não tenho nada que possa interessar a ele mesmo. Fico bem quietinho e espero ele terminar.

– Sai andando. – eu obedeço. Meu vizinho vem ao meu lado. Enquanto caminhamos seguindo nosso caminho, sabemos que eles ainda nos observam, mas não nos arriscamos olhar pra trás.

– Sujos. – eu digo. Meu vizinho concorda com a cabeça. – É a segunda vez essa semana. É muito preconceito.

– É mesmo, só por que nóis é neguinho de favela.

– Eu fico mais puto quando eles ficam me chamando de safado. Safado é ele que sobe aqui só pros traficantes do morro molhar a mão dele e ficar dando enquadro em gente trabalhadora. Gente guerreira que ta aí na batalha.

– E o pior é que eles tão por aqui direto, né mano.

-Só quero estar bem longe quando esses covardes passarem de novo por aqui.

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