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Por @Junior_Criative mais em Criative Break e Body Mark

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Dois corpos em um quarto escuro. Respiração ofegante, gotas de chuva atingem a janela como meteoros. Ela diz:

– Estou com medo.

– A calmaria pode não vir depois da chuva, por isso encoste seu peito no meu. Sinta minha respiração. Ninguém virá te salvar, mas eu estou aqui. – ele responde na tentativa de acalmá-la.

Ela o escutou. Seu peito repousa sob o dele, a respiração se iguala. Apesar de toda a chuva que cai lá fora, dentro do quarto a temperatura  aumenta. Mas mesmo assim ele sente sua companhia dispersa.

– Porque você não olha nos meus olhos? – ele a questiona enquanto tenta a segurar pela mão.

Ela se cala. Por um breve momento a tempestade parece invadir o quarto e tudo se torna tão gelado quanto à mão deste jovem ser que simplesmente não sabe mais o que quer.

– Me deixe te sentir em meus braços. – ele insiste.

O silencia ainda predomina no quarto. No velho rádio de pilha uma música, um solo de guitarra envolvente. Ele tenta se aproximar, ela recua. Neste momento parecem ser duas pessoa  de mundos diferentes, unidos apenas pelo solo da guitarra e por 4 paredes.

Uma nota aguda quebra o silêncio. Ela estica a sua mão até a dele, como se o chamasse para dançar o resto daquele solo interminável. Uma dança lenta e o medo do que acontece atrás da janela é esquecido, se esvaíra , se perde na intensidade do solo. A calmaria chega assim que os olhos se encontram.

Eles estão condenados, um ao outro, naquele quarto escuro, ofegante, com as paredes em chamas.

O solo chega ao final e torna-se um dueto.

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