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Por @RicoCorreiaUP mais em Miztureba

Ouça enquanto lê

Estava decidido.

O pequeno Jeremy, não que fosse tão novo, simplesmente era pequeno. Não se destacava muito em nada, era tímido, era atormentado freqüentemente, apanhava tanto em casa quanto na rua, ele só queria respeito dos colegas e atenção dos pais, não era um pedido muito absurdo vindo de um garoto de 13 anos.

Com toda certeza isto mudaria hoje não é Jeremy? Ele está ali parado em frente a sala falando e falando e falando. Mantinha-se calmo, mesmo quando a professor pediu pra ele se sentar, claro que ele não se sentou, seus sonhos seriam realizados agora, falando a todos aqueles que neste momento eram plebeus ao seus pés, aos pés do Rei Jeremy.

            Este era o último recado a ser dado, havia avisado aos pais, mas como sempre não deram atenção a ele. Deixou seus desenhos espalhados no quarto, ele sobre montanhas com braços abertos, acima de todas estas figuras que se achavam superiores a ele… não eram, nenhuma delas. Jeremy era maior e mais importante que todos eles em seu mundo, e ele precisa externar este mundo, trazer pra realidade o mundo que sonhou.

            Jeremy ainda fala na sala, enquanto a professor se aproxima pedindo que ele se acalme. Ele tateia dentro da mala eufórico e retira uma arma:

Rei Jeremy está falando, seus súditos que escolheram respeitá-lo pelo medo, ele poderia ter oferecido amor, mas eles quiseram o medo. Quiseram a agressão, ele oferece de volta aquilo que foi dado a ele, descaso para os pais e medo aos que o amedrontaram.

       Jeremy, calma eram brincadeiras, desculpa cara.

       Cale-se eu já fiquei calado tempo demais, agora eu estou falando, e quero todos calados, quero todos me dando a atenção e o respeito que mereço.

A arma apontada diretamente ao rosto do súdito que teve coragem de interromper seu discurso, afinal ele era um dos que mais o atormentavam, mas matando ele o recado não seria dado, Jeremy ainda falava, poucos prestavam atenção nele agora.

Jeremy parou de falar, só apontava a arma e encarava cada um dos rostos que olhavam de volta. Era este o mundo que ele havia sonhado, via o medo respeitoso até nos olhos da professora que nunca o defendeu. Ele não precisava de defesa na verdade, poderia reivindicar o respeito de todos quando quisesse. Acabou de provar isto, o momento precisa ser eternizado, todos precisavam lembrar dele e respeitá-lo para sempre.

       Este vai ser meu último discurso, minhas últimas palavras para vocês. Sinta-se honrados e não ousem se esquecer do que eu disse.

Jeremy atirou em sua própria cabeça, sua missão estava cumprida, seria eterno no coração e na mente dos seus súditos, o discurso não terminou em aplausos, mas ele não precisava disto, não precisava da reverencia, ele já tinha o respeito de todos.

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