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Escrito por @RicoCorreiaUP leia mais em Miztureba

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Levantou-se apressado, a madrugada já abocanhava grandemente a noite e não tardaria ao horizonte ser tocado pelo Sol. Precisava sair antes que ele nascesse, na verdade quando ele se levantasse precisava estar a uma distância bastante segura. Olhou pra mulher em seu lado na cama, não fazia idéia de quem era, provavelmente uma prostituta que fora convincente bastante na noite anterior. Levantou e olhou em volta, devia estar no segundo andar da taberna. Lançou uma pele de cordeiro sobre os ombros e viu nos montes de peles ao lado, seus irmãos jurados, companheiros de armas estava lá deitados, alguns ainda do lado de outras mulheres, outros sozinhos abraçados a garrafas, doía deixar isto pra trás.

Achou suas roupas e tentou se trocar sem fazer muito barulho, calçou as calças o gibão de couro, olhou pra sua cota de malha. Não ia poder levar, precisava de velocidade, o peso do metal atrapalharia o cavalo a correr. Deixaria a cidade com seu pajem e dois soldados de confiança, deixaria tudo pra trás, mais tarde um outro pajem se encontraria com eles levando os poucos tesouros que o anonimato permitisse.

Deixou o segundo andar da taberna com apenas suas coisas de mão e o cinto da espada já preso. Não podia deixar pra trás pertenceu a seu pai, assim como a cota de malha. Em um último momento passou a mão pela cota de malha e resolveu recolher, não podia deixar ela ali.

Arfou o ar da madrugada e olhou em volta. Dois pajens já estavam a postos e homens também, bem mais que o esperado havia pelo menos 10 soldados, todos mais velhos que ele, todos o haviam visto nascer e eram leais a seu pai, e agora todos eram leais a ele, o assassinato do seu pai pelo rei usurpador não passaria despercebido.

– Por que tantos? Não posso obrigar que todos me sigam. Vou para o exílio, vocês todos têm família, tem compromissos e os libero a todos dos compromissos.

Um homem de cicatrizes e talhado por diversas batalhas se ajoelha em sua frente:

– Senhor, estamos libertos, mas não vamos lutar por ninguém mais, quantas vezes me libertar quantas vezes vou refazer meu juramento, minha espada não serve a ninguém mais, muito menos a um Rei indigno.

O jovem sorrindo se ajoelha e levanta o homem.

– Sei que mais do quer servir, vocês todos amaram meu pai como irmão, as espadas de vocês serão sempre bem vindas. Honrarei e exaltarei vocês e suas famílias. Obrigado a todos.

Um dos pajens chega próximo e apanha a cota de malha trocando-a por uma gaiola com um pombo dentro.

– Vá senhor, leve este pássaro e nos avise quando achar um porto seguro, vamo-nos todos, aos poucos.

Pouco tempo depois doze homens cavalgavam em ritmo acelerado, deixando para trás, glórias e riquezas que todos haviam feito por merecer. Porém, com um consenso na cabeça, sob aquele estandarte, eles não lutariam.

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