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Por @Rico_Correia mais em Taberna do Smok

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Doce, simplesmente doce. Não há melhor palavra para descrever Suzana que inclusive era doce de mais para aquele cafajeste, mas o que fazer? ela gostava dele, estava presa nesta relação e, de tão doce, não tinha ódio de ninguém, não tinha ódio dele, nem tampouco dela, também a julgava vítima da situação. Três vítimas de um destino cruel.

–       Oi meu nome é Suzana . vou começar as aulas de dança hoje.

–       Oi Su, Posso te chamar de Su? Sou Alberto o professor, você vai dançar comigo hoje.

Alberto sabia como fazer para conquistar uma mulher e a tímida Suzana era um alvo muito tentador e fácil para que ele não fizesse nada. Índole, desejo , instinto, não há como saber, mas ele agiu, ignorando completamente a existência de Valéria. Ambas eram completamente diferentes uma da outra, porém com algo em comum que fora completamente ignorado por Alberto: elas têm sentimentos, e desenvolveriam certa afeição por ele. Sentimentos não são algo que se possa brincar facilmente, alguém sempre se fere.

–       Alô Su

–       Oi beto

–       Poxa, agora que acabaram as aulas, como a gente vai fazer para continuar se vendo?

–       Ahh quanto a isso, não sei se a gente deveria. Aquela noite foi um acidente, você tem a Val, ela …

–       Não Su, não é assim, meu caso com a Valeria era esporádico, não era nada sério. Vamos sair e aí a gente conversa.

Ela caiu neste papo e foram meses assim. Quando Suzana se tocou, ela já estava presa a ele, o amava demais para magoá-lo e ao mesmo tempo se achava inferior demais à Valéria para obrigá-lo a escolher. Ela ou Eu, tinha medo. Se contentava com as migalhas de atenção, se apegava às mentiras e aceitava sua condição.

Meses entregando um amor gratuito e sincero, na esperança de ser notada e merecer uma parcela deste amor de volta

–       Oi Su. Tenho uma boa notícia pra você, vai dar pra gente se ver hoje.

–       Ai Beto não vai dar.

–       Como assim, faz semanas que não nos vemos?

–       Exato.

–       Então Su.

–       Eu… Eu não posso mais, eu amo você, mas não posso mais viver  feliz por ter um pouco de você pra mim.

–       Não Su, não é assim, vamos sair pra conversar melhor.

–       Não Beto, é sempre assim, saímos, eu fraquejo e voltamos a onde estávamos há meses atrás, pare de brincar com meus sentimentos por favor.

Meses de escravidão, estava se libertando, estava a poucos metros de livrar-se da escuridão na qual estava mergulhada por conta desta paixão doentia. Se deu conta finalmente do quão errado tudo isto estava.

–       Quero que você seja feliz com a Valéria, mas não me ligue mais, não quero mais nada. Você nunca vai terminar com ela.

–       Não é tão simples, meu caso com ela está por uma fase difícil, pode ser que acabe.

–       “ Pode ser que acabe”, “Pode ser que a gente saia” “ Pode ser que eu consiga ir” sempre pode ser, eu não quero mais ser seu Step. Fica me olhando como se eu fosse uma obra de arte, me eleva tanto mas no fundo me trata como lixo.

–       Não é isso.

–       Não quero mais saber disso. Seja feliz…você e sua vagabunda.

O telefone desligado nunca mais foi atendido, a coragem necessária para tomar esta decisão nunca mais foi esquecida, assim como uma lição.

Não se pode dançar um tango a três.

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